
Mudanças à vista. Este ano, a Bienal Internacional do Livro do Ceará não acontecerá no segundo semestre, como em 2008. A 9ª edição do evento será realizada entre os dias 9 e 18 de abril, no Centro de Convenções. Uma das principais ações da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) no setor, a Bienal de 2010 será lançada hoje, às 20 horas, no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). O evento ainda contará com a apresentação da esquete "Próximo Livro", do Grupo Bagaceira de Teatro, sobre os caminhos da leitura.
O tema da Bienal deste ano é "O livro e a leitura dos sentimentos do mundo". Proposta vasta que abrange meio mundo de possibilidades de encontros de debates. Em entrevista ao Caderno 3, o secretário da Cultura, Auto Filho, antecipou detalhes da programação da Bienal, ações que acontecerão nos 10 dias da festa literária e avaliou os prós e contras de sua última edição. Uma prévia da programação também foi liberada.
De cara se percebe uma mudança nítida em relação à programação de 2008: a presença de nomes conhecidos do grande público leitor. Há dois anos, o cast de convidados contava com muitos autores estrangeiros sem obras publicadas no Brasil, e as discussões tinham mais apelo para os estudiosos da cultura e da literatura latino-americana do que para o leitor médio, interessado no prazer que encontra ao abrir o livro. Dessa vez, é exatamente este leitor que é o alvo principal da programação. Nelson Motta, Carlos Heitor Cony, Thiago de Mello, Afonso Romano de Sant´Anna, Paulo Markun, Marina Colasanti, Heloisa Buarque de Holanda, Pedro Bandeira e Eduardo Viveiros de Castro são alguns dos destaques. Alguns nomes ainda estão em fase de confirmação, mas a programação já se encontra praticamente fechada. Com menos espetáculos musicais que sua edição passada, a Bienal abre com o show "Rock´N´Roll", do tremendão Erasmo Carlos, e fecha com "Pequeno Cidadão", de Arnaldo Antunes e do ex-Ira! Edgard Scandurra.
Dois braços da bienal merecem destaque: a programação voltada para as histórias em quadrinhos, que inclui o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, o pesquisador Waldomiro Vergueiro (USP), além de personalidades locais como Mino, Geraldo Jesuíno (criador da Oficina de Quadrinhos da UFC) e a dupla Hemetério e Olinto Gadelha, autores do premiado "Chibata!"; e o seminário Cultura, Democracia e Socialismo na América Latina e Caribe.
Ruptura
"Aprendemos com os erros cometidos pela Bienal anterior", confessa, sem rodeios, Auto Filho, antes de listar quatro "erros" que serão evitados nesta edição, e que ajudaram a traçar uma nova configuração para o evento. "O primeiro erro foi ter um único curador. Agora, temos uma comissão organizadora. Isto evita que prevaleça a opinião de uma única pessoa", avaliou o secretário. Em 2008, o poeta cearense Floriano Martins assinou a curadoria do evento.
"O segundo erro foi em relação aos convidados. Desta vez, entre os escritores, não haverá nenhum convidado que não tenha livro publicado no Brasil. Claro que esta regra não vale para autoridades, editores. O terceiro foi o número de eventos. Em 2008, eram tantos que tínhamos que programar mais de um para o mesmo horário. Vamos reduzir este número, para assegurar que o frequentador da Bienal possa conferir o maior número dele. Outro erro foi que a curadoria anterior (do poeta Floriano Martins) estabeleceu que não se convidaria nomes consagrados. Por conta disso, recebemos críticas do próprio público. Ouvimos as pessoas, e atendemos suas sugestões. As crianças queriam o pessoal da Turma da Mônica, e nós vamos trazer o Mauricio de Sousa" , completou Auto Filho.
Continuidade
O secretário garante que, "o que deu certo, vai ser copiado para esta Bienal". Copiado e ampliado. Caso do projeto de visitação escolar, que atendeu 27 mil estudantes em 2008, e que deve atingir a marca de 50 mil estudantes, agora incluindo estudantes da rede particular e do interior. Também continuam os espaços de discussão de todo o segmento do livro, desde a cadeia criativa, com os escritores, até os projetos de lei que visam proteger as pequenas livrarias do avanço das grandes redes multinacionais.
Foto: Diário do Nordeste.